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Vendendo mais de 1000 canecos de caldo de mocotó por dia, o bar é o maior vendedor de cerveja do país

Quem passa pela avenida amazonas 840, Centro de Belo Horizonte, não imagina nem de longe qual é a potência de comércio do bar de 90 metros quadrados que ali se encontra, o Bar do Nonô. Simples e sem nenhum atrativo de requinte, o bar, também conhecido como Rei do Mocotó, vende em média mil canecos de caldo de mocotó por dia e é o maior ponto de venda de cerveja preta Caracu do país, segundo dados da cervejaria Brahma, dona da marca.

O Bar do Nonô vende mensalmente cerca de 200 caixas da Caracu, totalizando 4,9 mil garrafas por mês. Segundo a cervejaria, a média por ponto de venda do produto em Minas Gerais é de 10 caixas de cerveja por mês. Qual o segredo para tanto gole? Caldo de Mocotó!

Do Rei do Mocotó saem mensalmente 6,6 mil litros de caldo. Cerca de 40% é acompanhado da Caracu, afirma Clelson Corrêa, um dos proprietários do bar. Uma curiosidade é o fato de as vendas da Caracu crescerem no inverno. Acompanha o caldo. Quando esfria chegamos a vender até 1,4 mil canecos por dia e a cerveja vai junto, diz Clelson.

O Bar do Nonô é administrado pelos irmãos Crélio, Décio, Nívio, Dênio e Clelson. Mas a receita exclusiva do caldo de mocotó foi criada por Raimundo Corrêa, pai dos atuais proprietários do bar, quando fundou o Rei do Mocotó em 1962 no Barreiro, próximo à casa onde a família morava. Era uma barraquinha modesta, pequenininha, que mal cabia duas pessoas, lembra Crélio.

Em 1973, com o falecimento do Sr. Nonô, como era conhecido pelos fregueses, os filhos herdaram e tocaram o negocio para frente. Na época já havíamos vindo para a Avenida Amazonas, diz Clelson.

Segredo do caldo

Mas o volume de vendas de cerveja e caldo de mocotó do Bar do Nonô não veio por acaso. Cada ingrediente do caldo, comercializado no bar por R$1,50, é preparado cuidadosamente pelos irmão que são os próprios cozinheiros. Vou três vezes por semana em Ibirité buscar a cebolinha, sendo que limpamos folha por folha de cada uma, diz Clelson.

Cada um dos Corrêa dedica 5 horas por dia dentro do Bar do Nonô, Mas o serviço que fazemos fora é bem maior. Na terça-feira por exemplo, trabalho doze horas por dia só na limpeza das 500 unidades de mocotó que são compradas semanalmente, diz Clelson. E limpar o mocotó é o único serviço que os irmão ainda contam com a ajuda da mãe, dona Alaydes. Ela não abre mão, diz Nívio. Fora a família Corrêa, mais dez funcionários ajudam a servir à clientela que de segunda a segunda está no Bar do Nonô.

Jornal Estado de Minas, 3 de Maio de 1998, Domingo